A situação da Wind Power Energia’s

Foi publicada em reportagem da Bloomberg que a Xinjiang Goldwind Science & Technology Co, maior fabricante chinesa de turbinas eólicas tem interesse em comprar toda a operação do Grupo Pescarmona ou parte dela. A reportagem também relata o pedido de falência da Wind Power Energia’s, que tem gerado transtornos para companhias brasileiras, uma vez que a falta de turbinas pode dificultar a energia, gerando multas pela Aneel.

A Xinjiang Goldwind Science & Technology Co já está negociando a compra, contudo ainda não decidiu se vai incluir toda a unidade brasileira, a Wind Power Energia, cujo pedido de falência foi feito no fim do ano passado ou os ativos que podem estar inclusos um porto e uma indústria focada na fabricação de turbinas. O negócio seria uma forma da Goldwind entrar no mercado eólico do Brasil.

O Grupo Pescarmona, detentor da Wind Power Energia, passa por dificuldades financeiras, principalmente por não fechar contratos significantes relativos a planta hidrelétrica na Argentina e o atraso dos pagamentos de clientes brasileiros e venezuelanos. O grupo ainda não quitou os US$ 390 milhões em títulos e já perdeu o prazo para pagar os juros, em setembro de 2014. Por essas e outras razões, a Wind Power Energia interrompeu suas atividades e entrou com pedido de falência em novembro do mesmo ano.

Se for concretizada, a venda dos ativos eólicos trará um maior conforto ao mercado nacional, que passa por problemas como a carência de turbinas. Em Furnas, por exemplo, o maior problema é a falta de turbinas e isso acarreta em perda de leilões e negociações cancelados. O valor gira em torno de US$ 1,6 bilhões em contratos que deixam de ser assinados.

Outra que passa pela mesma situação é a Chesf – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, a qual procura atualmente por novos fornecedores para finalizar o projeto eólico Casa Nova I de 180 megawatts. Depois do cancelamento do contrato junto ao Grupo Pescarmona, há chances da Goldwind de apresentar uma proposta de fornecimento de turbinas. O projeto da companhia é concentrado no mercado à vista, portanto não haverá multas caso não seja concluído no prazo.

A mesma realidade não é encarada por outros desenvolvedores de energia eólica, uma vez que a falta de turbinas podem dificultar a entrega de parques eólicos ou o fornecimento menor do que o determinado nos contratos. Acredita-se que os órgãos reguladores, como a Aneel estudam o caso, mas não deixam de multar as companhias que perdem os prazos.

Atualmente, a capacidade eólica do país gira em torno de 6.8 gigawatts. Este percentual é 50% superior ao do registrado no ano passado. Outros 10 gigawatts estão em fase de construção em diferentes projetos eólicos a serem instalados no Brasil. Os números são da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Esse potencial atrai fornecedores de todo o mundo, contudo a regulamentação brasileira exige turbinas fabricadas ou montadas aqui. Enquanto não se acha uma solução, o país e a população perdem.

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Tiago Lobão Cosenza é sócio do Leite, Tosto e Barros Advogados, escritório full service fundado pelos advogados Ricardo Tosto e Zanon de Paula Barros.

 

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